Sabe, eu já não sei mais o que é certo ou errado, mas acho que tudo e todo mundo está errado. Não generalizando, mas especificando aonde me encontro, onde durmo, onde acordo. Onde seria meu lar. Trago comigo, as lembranças ruins, lembranças essas, das magoas, por assim dizer. Quantas vezes você se preocupou se eu tinha livro pra estudar? Se as notas, os boletins representavam alguma coisa, e o certificado de melhor aluno? Você nem deve saber disso. Quantas vezes se preocupou com a farda que eu não tinha, com o tênis que mal cabia? As vezes que ia andando pra escola essas vezes que você queria poupar a... Ahh e o dia que você me [...]? Por que me recusava a servir dos caprichos que você inventava? A mordomia daquilo que você chama de amor? Quantos carinhos você me deu? Quantos foram os beijos que você me deu? Você alguma vez me disse "eu te amo"? Você sempre se preocupou com o carro pra pagar, com as roupas pra viajar. Ahh e o dia em que você disse que entre mim e sua felicidade preferia a sua felicidade? Isso conta? E a sua brutalidade? Assa que me ensinou? A grosseria ao falar, o tom ríspido, o olhar odioso. Guardo o medo, o receio, a falta de coragem. Trago as lembranças e as perspectivas de falhar, de não ser o bastante, e o medo de errar... de não conseguir viver por mim mesma. A maneira de me acuar, de me calar, a rejeição... me sinto incapaz, você sabia disso? Tenho medo de amar, tenho medo da vida. Mas não vou te culpar, não irei culpar ninguém, apenas à mim por ter nascido.
J'L