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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Meus Poros

Meus Poros
 




Será?
Fonte de prazer e nada mais?
Você de uma hora pra outra, da água salobra se tornou tão doce.
Um prazer tão pleno e sereno de um apego forte e intenso.

Tens um sabor tão memorável, suado que me põe em tua teia
Sinto-me bombardeada por um veneno cravado na veia
Vestígios de um ardor que queima como brasa
Era teu corpo, tua face, a tua “cara”

Joguei o amor na cama como se não o-sentisse
Destravei a dor do crânio como se nunca existisse
Confundi distração com amor e amor com distração
Corri o perigo de submergir meu coração

Penetrasse meu olfato invadisse meus poros
Numa reza brava que geme teme sente o roçar dos corpos
Estás na cartilagem, na unha no suor de orvalho
Na língua miúda nos pés encharcados

Constatei o temor sobre a superfície fria
Provei o gosto tropical de suas mãos macias
Amor carnal vendido entre as plumas malditas
Fosses longe, porque sabias que em me ficarias, covardia

Numa carne sedenta suculenta
Que arrepia a alma amedronta
Causa dor Causa insônia
Destroça o pudor, desconcerta, difama
Enfurece a alma, me devota
Foste longe, debruçasses sobre mim
Colonizasse minhas moléculas
Sugaste minha saliva
Nas últimas gotas puseste um fim


Quis o beijo bandido 
Naquela terceira madrugada
Mal sabia eu que em minha veia,
Pupila e cabeça
 Tu marcada estarias
Mais que em minha pele 
Mais que minhas papilas gustativas
Fosses longe, invadisse minha derme
Glândula malvada, serotonina
Rezei minha prece fugi das garras
Tomei minha dose, dopamina
Levei-te dos pés à cabeça 
Duma substância louca, sedativa

Fosses longe, resgatasse a fé 
No amor que já havia perdido
Fosses longe, tiraste o desejo de ser só
E viver num silêncio sucumbido
Teu sabor está na pele está na boca
 Na película da carne
Trouxe-me de volta a vida 
E fugiste como um pássaro naquela tarde.