Páginas

domingo, 24 de junho de 2018

Duas doses e 1/3 de amor



Traga-me mais duas doses
Quero descobrir sabores e cores
Quem sabe assim eu ame por segundo
Um amor bandido amor cronometrado

Perco a razão, perco emoção
Entre minhas veias passam um amor desmedido
Daqueles de doer o corpo de doer o coração
Um amor calculista, melindroso

Tragam-me mais duas doses
Hoje eu quero amar
Quero ouvir novas vozes
              Quero ir onde for e sentir um terço de amor                     

Quero brindar meu sono
E dormir por engano
Mas como, se tudo ao inverso sou
Quero acordar pela manhã e saber com quem fiz amor

Quero decorar nomes
E saber as linhas dum corpo décor
Tragam-me mais duas doses
Quero sentir ao menos 1/3 de amor

Outra dose
De onde vem pra onde for
Só mais dois goles
Dois goles e um pouco de amor.


PS: Em meado de 2012.

O ter





- Espera, não vai voa agora. 

Preciso tanto ter você, mas não é o ter clichê. Não é o ter de posse nem o ter apaixonado. Não é o ter, aquele ter descompensado pra dizer que tem, pra chamar de meu ou minha. É o ter de sentir minha alma se reencontrando na sua, da sua na minha. É o ter de não saber explicar, de não saber o porquê você precisa ir, de você já está indo. Você não é um pedaço meu, mas sim como se fosse eu. Quero esse ter de cuidar de você e assim poder cuidar de mim, ser só um ser. É o ter de ter você por perto, ter sua presença aqui. O ter de se reencontrar, de se enxergar em você, de me rever. Sim, eu preciso que você fique. 
- Espera, não vai voa agora. 


Lado de dentro




         Aceitar quem você é? Sim, é um dos maiores desafios que podemos ter. Não se importar com que os outros irão pensar é mais que um clichê. Se aceitar, se amar. Por que é tão difícil? Ainda mais quando os anos se passam. Talvez porque há um universo inteiro dentro de você, um mundo que só você consegue enxergar, só você consegue sentir, assim como todos só sentem a si mesmo. E saber o que se sente é uma das maravilhas do mundo. Às vezes me parece ser inatingível, mas alcançar a plenitude de ser quem você é, é imensuravelmente melhor. Se policiar, muitas vezes soa como auto sabotar, e isso vai além de toda ética existente.

Não se reconhecer é desesperador. Se olhar e não encontrar quem você é ou quem você costumava ser, é profundamente confuso. Apenas perceber o que você se tornou é angustiante. Sim, porque você se tornou tudo que nunca pensou. A sua fisionomia te enganou. Nos últimos anos, arrancou os últimos traços de você, as últimas chances de se reconhecer. Os dias se passam e você refaz o seu pensamento e assim se refaz por inteiro, ao menos o inteiro do seu lado de dentro. Mas, você descobre que não é só conseguir se reconstruir, colar todos os cacos, mas você também precisa se manter assim e isso é o que determina se você se aceita ou não. Se você não está, mas se é feliz.