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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Saga



          Creio que para ocorrer o nascimento ou o renascimento, seja ele físico ou espiritual, isto é, literal ou metafórico, se faz necessário a morte de algo ou alguém. Os seres vivos são mortais e nada é para sempre, não só pela razão carnal, mas pelas mudanças que são imprescindíveis. Revigorar a alma também é uma forma de morrer e reviver, não se morre só pela morte do organismo celular, da matéria, mas também pela morte de velhos pensamentos, costumes que já não nos servem mais, e inclusive das nossas dores. Todos de alguma forma sentiram e sentirão alguma dor, e isso pode acontecer de formas diferentes, podemos aprender com os erros ou acertos que acarretaram em dores, sim, nossos acertos também podem nos causar muitas dores.  Quando Newton Messias menciona “nas dores de cada estação” talvez ele esteja se referindo às diversas dores que enfrentamos em diversos momentos de nossas vidas. Vale ressaltar que esta idealização reforça o fato de que ao ressurgirmos já carregamos as dores, os sacrifícios de nosso passado.
O verso “que o fruto que surge após a beleza da flor, todo ele carrega na carne uma história de dor” ressalta a visão de quem vê de fora, a visão externa das coisas que, na verdade, não demostra a essência do que realmente se passa ou se passou, nem sequer se imagina que em um sorriso possa um dia algum tipo de choro ter existido. É possível notar que toda a satisfação da vida requer um processo de espera, afinal todos nós amadurecemos nossas mentes e nossas células. Amadurecer, envelhecer também tem o seu lado bom, que mesmo após a morte da aparência jovem, ainda vive a doçura que carregamos naquilo que nos move, ainda existe a beleza interior. Esse fato pode ser identificado no verso: “tu vês a beleza e a doçura que um fruto carrega?”, todos nós temos histórias para contar, e a superação de nossas mudanças se inicia ao semeá-las, pois tudo tem um tempo determinado pela natureza para existir e o ciclo da vida tem que acontecer independente das marcas que levamos. Assim como a “saga do fruto”, somos nós ao reencontrarmos o nosso eu.

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