Creio que para ocorrer o
nascimento ou o renascimento, seja ele físico ou espiritual, isto é, literal ou
metafórico, se faz necessário a morte de algo ou alguém. Os seres vivos são
mortais e nada é para sempre, não só pela razão carnal, mas pelas mudanças que
são imprescindíveis. Revigorar a alma também é uma forma de morrer e reviver, não
se morre só pela morte do organismo celular, da matéria, mas também pela morte
de velhos pensamentos, costumes que já não nos servem mais, e inclusive das
nossas dores. Todos de alguma forma sentiram e sentirão alguma dor, e isso pode
acontecer de formas diferentes, podemos aprender com os erros ou acertos que
acarretaram em dores, sim, nossos acertos também podem nos causar muitas dores. Quando Newton Messias menciona “nas dores de
cada estação” talvez ele esteja se referindo às diversas dores que enfrentamos
em diversos momentos de nossas vidas. Vale ressaltar que esta idealização
reforça o fato de que ao ressurgirmos já carregamos as dores, os sacrifícios
de nosso passado.
O verso “que o fruto
que surge após a beleza da flor, todo ele
carrega na carne uma história de dor” ressalta a visão de quem vê de fora, a visão externa das
coisas que, na verdade, não demostra a essência do que realmente se passa ou se
passou, nem sequer se imagina que em um sorriso possa um dia algum tipo de
choro ter existido. É possível notar que
toda a satisfação da vida requer um processo de espera, afinal todos nós
amadurecemos nossas mentes e nossas células. Amadurecer, envelhecer também tem
o seu lado bom, que mesmo após a morte da aparência jovem, ainda vive a doçura
que carregamos naquilo que nos move, ainda existe a beleza interior. Esse fato
pode ser identificado no verso: “tu vês a beleza e a doçura que um fruto
carrega?”, todos nós temos histórias para contar, e a superação de nossas
mudanças se inicia ao semeá-las, pois tudo tem um tempo determinado pela
natureza para existir e o ciclo da vida tem que acontecer independente das
marcas que levamos. Assim como a “saga do fruto”, somos nós ao reencontrarmos o
nosso eu.

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