... , por favor, me traga mais uma xícara.
Gostaria de saber o que escrever, além de rascunhar um demasiado de palavras. A cidade ainda é velha, as paredes ainda estão lá com as mesmas cores, o jornal ainda chega encharcado d’água, o carteiro já não entrega aquelas cartas de amor, e o tempo? ahh... o relógio lateja da mesma maneira. Aquela canção que fazia chorar, hoje ela faz rir. Tudo era tão belo por ser simples e sincero honesto. Hoje, tudo é tão supérfluo, as canções já não fazem chorar como antigamente, as luzes já se apagaram e no palco ainda existem as mesmas cores. O velho trono ainda se encontra o velho homem. A bebida de sabor doce se tornou amargo e no papel os pingos de perfume foram trocados por pingos de lágrimas. Garçom me traga mais um café, quem sabe assim, não preciso fingir que me embriaguei por essas causas, não use de desculpas para te ligar de madrugada e me acabar de remorso no dia seguinte. Gostaria de saber o que dizer agora, mas estou sóbria demais para tentar explicar-lhes o que sinto.
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