Páginas

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Aposentos


 Minha pele está mais velha hoje.

     Não basta ser azarada tem que ser eu em plena sexta-feira 13. Esses últimos dias ou semanas, têm me deixado meio zonza, não sei se pelas noites de insônia, pelo índice de álcool ou por ter perdido o emprego e quem sabe um quase amor. E de repente, sentir um mal-estar, também não sei se é um vazio por fora ou por dentro mesmo. Não sei por onde anda meu pai, não ouço a voz dele fazem dias. Já faz tempo que ninguém bate no portão para ao menos saber se estou viva. Passei o dia só, casa vazia. Não fiz nada que prestasse - me sinto mal. Por mais que eu esconda, me revista com toda essa armadura por sobre minhas emoções e me faça de forte, a verdade é que eu sei sentir e sinto da forma mais intensa desde sempre. É só uma alteração emocional acontecer que eu literalmente passo mal, sinto febre, tontura, falta de ar. A forma que encontrei pra me poupar disso é fingir que não ligo pra nada, quando na verdade eu ligo.

     Sempre soube que compromisso é diferente de comprometimento, talvez por isso, tenha agido fielmente ao meu sentimento, não só porque gosto de alguém, e muito menos se estou com esse alguém ou não. E se é que eu gosto de algo ou alguém. O fato é que eu andei lamentando perdas que não fizeram sentido, mas que eu chorei. Chorei porque sabia que poderia ser mais do que foi. Dizer isso me parece um pouco tedioso. A questão é que minha pele está mais velha hoje. Os anos estão passando.  O tempo está me apressando, já estamos no meio ano. É hora de muita coisa, mas tem coisa demais para poucas horas.
Sinto vontade de dizer todas as frases que em pensamento elaborei, mas prefiro me recolher aos meus aposentos [...]


Desabafo, em Dezembro de 2011 

Nenhum comentário:

Postar um comentário