Minha pele
está mais velha hoje.
Não basta ser azarada tem que ser eu em
plena sexta-feira 13. Esses últimos dias ou semanas, têm me deixado meio zonza, não sei se
pelas noites de insônia, pelo índice de álcool ou por ter perdido o emprego e quem
sabe um quase amor. E de repente, sentir um mal-estar, também não sei se é um
vazio por fora ou por dentro mesmo. Não sei por onde anda meu pai, não ouço a
voz dele fazem dias. Já faz tempo que ninguém bate no portão para
ao menos saber se estou viva. Passei o dia só, casa vazia. Não fiz nada que
prestasse - me sinto mal. Por mais que eu esconda, me revista com toda essa
armadura por sobre minhas emoções e me faça de forte, a verdade é que eu sei
sentir e sinto da forma mais intensa desde sempre. É só uma alteração
emocional acontecer que eu literalmente passo mal, sinto febre,
tontura, falta de ar. A forma que encontrei pra me poupar disso é fingir que
não ligo pra nada, quando na verdade eu ligo.
Sempre soube que
compromisso é diferente de comprometimento, talvez por isso, tenha agido
fielmente ao meu sentimento, não só porque gosto de alguém, e muito menos se
estou com esse alguém ou não. E se é que eu gosto de algo ou alguém. O fato é
que eu andei lamentando perdas que não fizeram sentido, mas que eu chorei.
Chorei porque sabia que poderia ser mais do que foi. Dizer isso me parece um
pouco tedioso. A questão é que minha pele está mais velha hoje. Os anos estão
passando. O tempo está me apressando, já
estamos no meio ano. É hora de muita coisa, mas tem coisa demais para poucas
horas.
Sinto vontade de dizer todas as frases que em pensamento elaborei, mas prefiro me recolher aos meus aposentos [...]
Desabafo, em Dezembro de 2011

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