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domingo, 30 de março de 2014

Demito-te






Demito-te

Eu me levantei vagarosamente e olhei no espelho
Pensei:
Meus últimos 569 dias foram dedicados a um sentido
Constante e ingênuo sentimento ‘certinho e monótono’
Que hoje se sara na cicatriz
Que hoje, meio dia, se safa por um triz
Enjoei-me do cheiro, do choro e da dor
Vomitei a saudade esmagando aquele amor
Amor?  Digo, aquele imaturo desamor
Amor traidor:
Eu te desamo, mato-te adentro
E incansavelmente repito.
Respiro e faço disso uma canção.
Demito-te do meu coração.


120214


02/12

quarta-feira, 19 de março de 2014

Escapismo

                    Escapismo

  



Acendi um cigarro, mas eu não fumo
Nem sei porque o acendi.

Estava noite
A música estava alta
Meu corpo agitava com a batida
Não sei se do som ou da cárdia
Era feito de dor do efeito da hemorragia.

 Talvez quisesse matar por dentro
Com a fumaça dilacerada
Um tanto d’aquele muito
Onde a morfina fez morada
Era o início de um assassinato
Daquilo que era abstrato
Abstrato demais para se morrer só

A menina molhou o semblante
E com um olhar tristonho
Ela sorriu e indagou o tempo
Que tempo, que hora, que madrugada
Era ali, era agora­­­­
Não outrora.

Ela só queria um sorriso
E ver de novo aquela lógica que
Eu nunca vi nos livros.

Que ridículo seja esse
Mais breve e varrido clichê
O mais tolo jeito de tragar
A vida, um soluço, um cigarro.

A cortina escondia
Uma história de fumê
Onde piamente sorria
Aquele efusivo jeito de ser.