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quarta-feira, 19 de março de 2014

Escapismo

                    Escapismo

  



Acendi um cigarro, mas eu não fumo
Nem sei porque o acendi.

Estava noite
A música estava alta
Meu corpo agitava com a batida
Não sei se do som ou da cárdia
Era feito de dor do efeito da hemorragia.

 Talvez quisesse matar por dentro
Com a fumaça dilacerada
Um tanto d’aquele muito
Onde a morfina fez morada
Era o início de um assassinato
Daquilo que era abstrato
Abstrato demais para se morrer só

A menina molhou o semblante
E com um olhar tristonho
Ela sorriu e indagou o tempo
Que tempo, que hora, que madrugada
Era ali, era agora­­­­
Não outrora.

Ela só queria um sorriso
E ver de novo aquela lógica que
Eu nunca vi nos livros.

Que ridículo seja esse
Mais breve e varrido clichê
O mais tolo jeito de tragar
A vida, um soluço, um cigarro.

A cortina escondia
Uma história de fumê
Onde piamente sorria
Aquele efusivo jeito de ser.

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