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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Quartinho Apertado

A voz no fundo
O sorriso no portão
Como não se lembrar daquele olhar
A calçada me convidava a te dar a mão.

Num quartinho apertado
Exprimi-me para longe de tua boca
Ali estava meu desejo encurralado
Procurava não sentir a respiração
Nem a minha nem a sua.

Hoje me convenço
Ou tento satisfazer
Consolar meu remorso
Palavras essas que me faço escrever.

Talvez fosse só um beijo
Num quartinho apertado
Agora é ‘Algo que ficará guardado
Não importa o quanto, o tanto, o tempo
Será obedientemente especial.

Nesse quartinho agora
Cabe mais sentimento
Cabe mais importância
Mais tudo de um nada
Cabe você Cabe "eu" Cabe 'nós.

As paredes mal pintadas
Amadureciam dentro de mim
Como agora organizo
Todos os pensamentos do fim.

Fim este que não teve início
Tão longe, longe de mim.






quarta-feira, 16 de abril de 2014

Dor



Doer? 
Dói. 
Dói sim!  
O dia hoje está nublado e aqui dentro também. Meu coração sangra como se não existisse o amanhã, meu peito lateja de dentro pra fora como se quisesse expulsar a dor aqui dentro que me consome a cada minuto passante. Eu fumo um cigarro pra apostar trazer paciência e amenizar o tempo que demora a passar.  Eu fujo, bato o carro, saio sem saber pra onde e acabo parando na sua porta, na sua janela. Eu não faço nada, só olho, observo e espero. Espero o relógio querer, espero a hora certa chegar, mas me dói agora, me dói já.  Agora chove, chove lá fora e chove aqui, nos meus olhos e no meu travesseiro. Mudei o quarto de posição pra ver se algo muda aqui dentro, mas como mudar por fora se por dentro não muda nada. Só posso esperar e me maltratar com os pensamentos de você. Você que acordou, andou pela casa e nada sentiu, você que saiu, resolveu suas coisas e numa sexta feira à noite dança acompanhado(a) numa dessas casas noturna qualquer da cidade. Você que nada fez, que nada sentiu, que nada mudou. O tempo vai passando. Esse instante se tornando outro dia. E eu vou descobrindo que não existe mais nada em mim porque em mim é você que está.


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Rascunhado

 







      De repente vem a chuva, lava e leva tudo. Do lado de cá tem dor, tem choro, tem mágoa, mas ninguém dá a mínima para isso. Algumas pessoas ainda não sabem amar de verdade ao próximo, seja ele amor sensual ou não. Amar os defeitos, as falhas, as loucuras, a estupidez, o pijama rasgado, o dinheiro escasso, os pensamentos distintos, na doença audaciosa, nas responsabilidades. - Amar com dinheiro, bebida e música alta, todo mundo ama. Quando se conhece o fruto se conhece a essência. Quando se conhece a dificuldade se conhece as pessoas.