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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

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     Quando a madrugada chega e ainda estamos sóbrios, me dá a sensação de autocontrole. Certa vez, ouvi uma frase em que dizia: “hoje, vejo os copos cheios e as pessoas vazias, rindo alto, forçando alegria.” Fico a pensar sobre todo o universo que é a mente humana. O coração dispara de uma forma repentina, me dá calafrio e dói até a espinha, me arrepia e geme por dentro um falar que não sai da boca, ela fica muda. O falar que não é o ato de conjugar um verbo é o fato de se calar na voz miúda. Na voz do olhar, na voz do querer, do esperar, na voz do viver. Sobre toda a indiferença e a antipatia das pessoas, bem, de modo geral sucumbe nossas qualidades, nos tornando pessoas mais frias e menos flexíveis. Com o tempo, as “coisas” deixam de existir para se tornarem meras folhas reviradas de um livro inacabado. As coisas: as alegrias, tristezas, os encontros, as despedidas, tudo. Certamente tudo. Portanto, por que acelerar a escrita dessas páginas? Por que frauda-las fazendo uso de remédios e/ou entorpecentes? Viver não é isso, sentir?
Creio que o coração do homem guarda segredos que nem ele mesmo consegue decifrar, então, quando algo tocar o coração da gente, não deixe que o tempo, as circunstâncias ou as razões, lhe impeçam de fazer, não o que é certo ou errado, mas de fazer o que o seu coração diz pra fazer. O homem não conhece a vida até que a viva. Quando a frustração deixa de existir, algo vira experiência. Somente assim, as páginas, aquelas que tanto queremos escrevê-las de forma imediata, poderão ser compostas e acima de tudo alfabetizadas, não morfologicamente, claro, mas vivencialmente.



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