Quando a madrugada chega e ainda estamos sóbrios,
me dá a sensação de autocontrole. Certa vez, ouvi uma frase em que dizia: “hoje,
vejo os copos cheios e as pessoas vazias, rindo alto, forçando alegria.” Fico
a pensar sobre todo o universo que é a mente humana. O coração dispara de uma
forma repentina, me dá calafrio e dói até a espinha, me arrepia e geme por
dentro um falar que não sai da boca, ela fica muda. O falar que não é o ato de
conjugar um verbo é o fato de se calar na voz miúda. Na voz do olhar, na voz do
querer, do esperar, na voz do viver. Sobre toda a indiferença e a antipatia das
pessoas, bem, de modo geral sucumbe nossas qualidades, nos tornando pessoas
mais frias e menos flexíveis. Com o tempo, as “coisas” deixam de existir para
se tornarem meras folhas reviradas de um livro inacabado. As coisas: as
alegrias, tristezas, os encontros, as despedidas, tudo. Certamente tudo. Portanto,
por que acelerar a escrita dessas páginas? Por que frauda-las fazendo uso de
remédios e/ou entorpecentes? Viver não é isso, sentir?
Creio que o coração do homem guarda segredos
que nem ele mesmo consegue decifrar, então, quando algo tocar o coração da
gente, não deixe que o tempo, as circunstâncias ou as razões, lhe impeçam de
fazer, não o que é certo ou errado, mas de fazer o que o seu coração diz pra
fazer. O homem não conhece a vida até que a viva. Quando a frustração deixa de
existir, algo vira experiência. Somente assim, as páginas, aquelas que tanto
queremos escrevê-las de forma imediata, poderão ser compostas e acima de tudo
alfabetizadas, não morfologicamente, claro, mas vivencialmente.
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