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domingo, 18 de setembro de 2016

Inquietação


           

       Para não ver, nós fechamos os olhos. Para não ouvir, costumamos tampar os ouvidos. E para não sentir? O que podemos fazer? A deslealdade age como se arrancassem pedaços que não param de sangrar. Uma hemorragia interminável. É como ser um espectador de uma história em que você já foi o personagem e ao mesmo tempo ser protagonista “no agora”. Falta o fôlego por dentro, falta tanta coisa. A angústia toma um espaço que já tínhamos isolado, já tínhamos ministrado e esvaziado toda área. Já tínhamos feito um seguro e um voto com amor-próprio. O medo vem como um sopro, não tem como se defender. De caráter invisível ele repentinamente te coloca no mesmo lugar, da mesma forma, mas em horários diferentes. A cena é a mesma, a dor, não sei se pior. O peso de já ter vivenciado algo antes, deveria nos fazer mais resistentes, mais fortes, mas porque não me faz?  A agonia se torna combustível das mãos geladas, do coração palpitante, da ingenuidade de berço. A naturalidade dos fatos é o que mais machuca, a indiferença, a troca, a substituição. Porque não se chamar outro nome a não ser traição. Escondi o título por trás da inquietação. A sensação é da respiração não mais suportar o ar, ou algo assim.  Em certos momentos, não somos o lado errado, mas nos tornamos. Em uma distribuição de culpa que não é só nossa, pra onde foi o orgulho? Aonde foi parar o amor próprio? O voto? Ele se rompeu.
    Pra onde foi o amor? Nesse momento, amamos algo mais que a nós. Naquele momento em que assumimos a culpa, temos que esconder a decepção, enxugar lágrimas e sorrir dizendo: tudo vai passar. Há coisas que não se explicam. Um assinado com a tolice, com a estupidez. Cada dia "mais" em que vivo, vejo que menos sei. Eu respiro, e não respiro mais. 

 Ao som de "Breathe no more" (Evanescence)
 "Love the way you lie" (Rihanna)

Ps: Quando o blog não justifica, não tem quem dê jeito.


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