Se eu chorei, de que importa agora?
Se só o mar sabe de mim
O vento que traz tudo e leva o nada
O nada que sou agora
Já andei muito por aqui
Já estive muitas outras vezes aqui
No mesmo dia da semana e no mesmo lugar
Mas nunca soube o que sentir
Além do horizonte
Além de fotos
Apenas além
Aqui eu posso me esconder do mundo lá fora
Posso ser eu e querer ser eu
Seja sorrir ou chorar
Falar ao vento e confessar ao mar
E ouvir apenas o som das ondas se quebrando
E deixando os cacos dentro de mim
Vou tentando juntar, mas de que importa agora?
Sinto o cheiro do sal
Que aos poucos arde em mim
Neste lugar me sinto dona do mundo
Ou apenas do mar
Nesse lugar onde venho só
E só vou
A imensidão me atrasa
E tenho apenas a areia como testemunha
Onde ali meu nome estava, e de tantos outros que aqui já passaram
Um desconhecido qualquer que talvez sentisse a mesma coisa
Agora, eu não sei mais nada
Não escrevo mais nada
E só sei sentir o nada
Carrego culpas que não foram minhas
E o que ninguém de fato sabe de mim
Choro porque também sei sentir
Mesmo que seja o nada
Cada segundo traz as mesmas lembranças milhares vezes
Coisas que nem mesmo o tempo sabe de mim
Talvez eu termine o dia com as mesmas preces
E nessa mesmice estúpida
Nesse segundo que percorreu o relógio e nada fez
Onde só o mar sabe de mim
Nenhum comentário:
Postar um comentário