Eu não sei se...
Não sei se perdoo ou se peço perdão
Não sei quem teve culpa ou razão
Não sei se culpo ou se me condeno
Se eu esmurro paredes ou se estendo a mão
Onde ela está?
Deve estar em algum lugar à noite
Pode estar no quarto dela, antes fosse
Mas certamente está vagando pelas ruas
Nas vias de um lugar onde não se sabe o nome
Pode estar usando batom vermelho ou seu vestido rubro
Não sei se já comeu ou se sente fome
Deve estar com o copo na mão
Distribuindo longas gargalhadas ou não
Pode estar livre, mas não só
Pode estar só, mas não livre
Pode estar com alguém ao lado ou só no coração
Pode estar comendo uma salada
Ou apenas doce na madrugada
Quem sabe?
Quem sabe dela?
Ela?
Ela deve estar fumando só mais um cigarro
Quebrando alguns copos e caindo de mais uma escada
Falando besteiras de um vocabulário embriagado
Pode estar sentindo frio ou calor
Mas ela deve ter quem a aqueça
Para ela?
Pode ser noite escura ou noite clara
Deve estar sorrindo em algum barzinho de esquina
Sentindo algo ou apenas beijando uma boca rala
Ela talvez não saiba ou até saiba
Será que ela sabe o que é saudade?
E por que nada a ilumina a não ser as luzes da cidade?
Talvez esteja com só mais um gosto na boca
O gosto de uma saliva desconhecida
Pedindo o telefone ou dizendo palavras de despedida
Pela manhã, possa ser que acorde com alguém em sua cama
Talvez ela prepare um café e conte mais uma em sua soma
Talvez ela leia o jornal acenda mais um trago
Talvez ela esteja feliz ou só mais uma vez se sentindo um trapo
E eu?
Eu só estou aqui de castigo
Banhando meu rosto com uma lágrima
Por um dia ter provado daquele gosto bandido
Das madrugadas dela nada sei, mas sei da solidão
Sei do sol que não acorda a noite dela
E fico aqui vivendo um pouco mais dessa contramão
Onde não sei se perdoo ou se peço perdão
Se eu esmurro paredes ou se estendo a mão
JLM
19 de maio de 2012
Sei das noites de insônia e da sua confusão...
ResponderExcluirConheço de perto seus desejos e inquietações...
Tu que a pouco era estranho te conheço tão bem que ás vezes quase me espanto..
Tu que fostes, mas algo de ti perdura... grita e lateja um silêncio inquieto, um silêncio que me chama...
Texto perfeito Bambynho... parabéns!